domingo, 15 de janeiro de 2017

Chapter II

Estado civil do puto: Sempre Doente

Doenças que já teve:
- Impétigo
- Varicela
- Estomatite aftosa/ Sapinhos
- Viroses (para aí umas 100)
- Bronquiolite
- Fora as febres todas por causa dos dentes (mentira que os médicos dizem que o nascer dos dentes não dá febre)

Eventos a que o miúdo faltou e fez faltar por não curtir festas e ficar doente nessas datas:
- 1º Jantar Natal da empresa da mãe pós licença de maternidade
- 1ª Festa de Natal do infantário
- 1ª Aniversário, passou o tempo todo no quarto a dormir com 40º de febre e casa cheia de convidados
- Carnaval 2016
- Aniversários de amigas minhas
- Baptizado do bébé de uma grande amiga

Vida em sociedade
As pessoas normais com filhos normais, têm prazer em sair à rua com as crianças. As pessoas normais com filhos normais, conseguem ir tomar café a esplanadas, ir comer a restaurantes, ir a centros comerciais, ir a casa de amigos, ir à praia no Verão e no Inverno, ir aos parques infantis e retirar prazer de todas as saídas.
E depois há as pessoas como eu e o meu marido, com um filho que tem 225% de bateria a toda a hora, e que por mais que se lhe explique, não percebe/não respeita dois conceitos essenciais: o NÃO e o estar quieto (nem que fosse 30 segundos apenas).
Ir tomar café com o meu filho em esplanadas consiste em estar um dos progenitores sozinho na mesa a degustar o seu café, enquanto o outro persegue a criança e tenta impedi-la de fazer mais um hematoma na testa. Depois revesamos, vai o outro tomar café e vai o que estava a tomar café correr atrás do puto. Ou seja, torna-se um programa muito solitário por um lado e pouco relaxante pelo outro.
Ir a um restaurante é mais ou menos a mesma coisa que as esplanadas. Até chegar a comida está um de nós sozinho à mesa e o outro anda atrás do puto a explorar todos os lugares novos. Quando a comida chega, tentamos que ele se aguente pela mesa, pelo menos o tempo que durar a refeição dele e depois voltamos ao mesmo, fica um sozinho à mesa e o outro atrás da criança. Como não retiro qualquer prazer da experiência, prefiro nem sequer gastar dinheiro a comer fora. Dou muito mais valor a ir comprar qualquer coisa diferente para cozinhar ou já cozinhada e comer em casa, onde o puto não encontra novidades e acaba por estar mais ou menos controlado.
Ir a casa de amigos até costuma correr bem nos primeiros minutos/horas. Há brinquedos novos, há crianças, e ele acaba por se entreter ali um bom bocado, no entanto se chega a hora de ele dormir ou se fica cansado, aí acaba-se o relax. Se os outros meninos, os normais, conseguem adormecer em casa de outras pessoas, ou mesmo no chão de uma sala cheia de gente, como aliás aconteceu nesta passagem de ano, o meu não. O meu só acalma quando entra no carro para voltar a casa, está cheio de birra na casa dos nossos amigos, nada o consola, mas assim que se senta na cadeirinha do carro e se dá à chave, pimba já fechou o olho. E uma pessoa pensa "Bem, se o puto adormeceu, dá-se mais uma volta de carro e volta-se à casa dos amigos, mete-se o puto numa cama e curte-se o resto do programa!". Errado! Nada mais longe da verdade! Rezo é para que o puto não acorde quando o tirarmos do carro e que durma uma hora ou duas seguidas. No momento que o puto adormece no carro, e depois de já me ter moído a alma e o corpo com o seu mau feitio quando está na casa de alguém com sono ou saturado, eu já só quero é ir deitar-me também. É por isto que basicamente adoro fazer jantares em casa e ter o trabalho de cozinhar para toda a gente e de limpar a cozinha depois de todos os convidados saírem. Porque, ali, em nossa casa apesar de perder tempo a fazer tudo, quando há almoços, jantares ou lanches, o meu miúdo consegue entreter-se e estar mais relaxado e entretido no seu mundinho. Consequentemente, eu consigo conversar com as pessoas mais de 2 minutos seguidos, beber uns copos e não estar preocupada a entretê-lo e a distraí-lo de 5 em 5 minutos.
A praia, ahhhhhh a praia, como eu gostava de ir à praia, antes do puto nascer. No Verão, as idas à praia não correm mal de todo. O miúdo adora estar no mar e basicamente passamos o dia todo na água, ou a evitar que outros pais espanquem o nosso puto por atirar areia a tudo o que mexe. A única questão é que, se para uns a praia serve para recarregar baterias, no nosso caso, serve para descarregá-las! Saímos de lá de rastos porque andamos o dia todo de volta do miúdo que não pára. Mas conseguimos que ele durma uma sestinha na tenda, o que já nos dá hora, hora e meia de descanso. O problema é o inverno, queremos que ele espaireça e queremos espairecer também, e lá vamos à praia. Mas aí começa outra luta, é que se há crianças que vão à praia para brincar na areia ou nos baloiços, onde os há, o meu não!!! O meu relaciona a praia apenas com o mar, se ele vai à praia é para ir ao mar, o que não é possível no inverno. E aí, passamos todo o tempo a tentar que ele não alcance o mar e que não se molhe. Tentamos que se distraia com as gaivotas, com a areia, com os brinquedos, mas ele não, ele quer é ir ao mar. Cansativo.
Há um casal de amigos nossos que presencia, mais do que qualquer pessoa, todas estas situações de tensão/falta de paz e continuam a ser nossos amigos e a querer sair connosco (filho incluído). Pergunto-me se eles serão bons da cabeça?! Ou então, são mesmo nossos amigos, e ainda bem :)

sábado, 14 de janeiro de 2017

Chapter I

Estou farta de blogues e artigos e conversas em que as mães têm filhos espectaculares, aliás, perfeitos, porque espectacular é o meu: que nunca adoecem, que comem 10 litros de sopa a cada refeição desde os 6 meses e só não comem mais porque as mães não lhes dão; que se portam lindamente, tipos bonecos de cera, em todas as ocasiões fora de casa; que dormem, não a noite toda, mas mais, muito mais, tipo 15 horas seguidas desde o 1º dia de vida; que adormecem sozinhos depois das mães lhes lerem mais um canto dos Lusíadas em inglês; que adoram tomar banho; que adoram sair do banho; que adoram despir-se; que amam vestir-se; que adoram limpar o nariz; que adoram lavar as mãos. Enfim, farta de partilha de experiências utópicas, hiper-mega-ultra positivas sobre a experiência da maternidade, que me fazem sentir a fracassar diariamente na minha própria experiência de ser mãe.

Pois bem, a minha história, a minha sina, a minha experiência tem sido muuuuuuuuuuuuuuuuito diferente de todas as que tenho ouvido/lido/presenciado.

Sono
O meu filhote vai fazer dois anos e dormiu, no máximo, 7 noites inteiras em toda a sua existência. Sempre acordou inúmeras vezes durante a noite. No início era para beber leite de 2 em 2 horas. Mais para a frente, quando descobriu a água, acordava ora para água ora para leite. Entretanto, vieram as noites mal dormidas por causa dos primeiros dentes. Entretanto, achou que era fixe acordar a meio da noite e conversar e brincar com a mãe durante uma ou duas horinhas de escuridão. Depois passou a acordar porque queria alguém do lado dele, tipo eu, eu e mais eu. E até hoje continua a dar-me noites difíceis. Aos 3 meses eu pensava que o puto ia dormir a noite toda a partir dos 6 meses. Aos 6 meses nada! Aos 6 meses eu pensava que quando ele fizesse um ano é que ia ser. Quando fez um ano tudo na mesma, ou pior! Aos 12 meses pensei que era aos 18 meses que ia dormir toda a noite. Aos 18 meses nada! E pronto resta-me esperar pelos 2 anos. FINGER CROSSED!!! Sempre que eu penso: "Olha, o puto está a dormir melhor, já só acorda uma ou duas vezes, bebe água e cai para o lado. Está a estabilizar, mais umas semanas e já dorme a noite toda seguida!". Yeahhhh, right!!! 
Mas calma mamãs de bébés perfeitos, nem tudo é mau. O meu filho nuuuunca dormiu na minha cama, isso é que já seria demais. Que ele durma mal é uma coisa, é a mãe que não sabe ajudá-lo a dormir bem, agora na cama dos pais é ultraje! Mas mamãs de bébés perfeitos, sabem porque é que ele nunca dormiu na cama dos pais, sabem, sabem, sabem??? Não é que eu me levante 40 vezes por noite para voltar a adormecê-lo quando chora e regresse à minha cama, nãooooooooo (que isso dá muito trabalho e não me permitiria dormir nem uma hora por noite)! É porque desde os 3 meses que durmo, praticamente todos os dias, no quarto dele :( Excelente hábito! Lamento, mas é a única forma que encontrei de conseguir dormir as horas indispensáveis para conseguir realizar, diariamente, as tarefas básicas tipo trabalhar e tomar conta do puto, com alguma sanidade mental, pouca vá! Eu já tentei de tudo: chás que acalmam, rotinas e mais rotinas, deitá-lo mais cedo, deitá-lo mais tarde, banho antes de dormir, jantar antes de dormir, brincar antes de dormir, ler história antes de dormir, acunpunctura com laser, melatonina, ser o pai a ir lá, ser eu a ir lá, deitar o cão com ele, acender a luz de presença, desligar a luz de presença, ir a uma benzedeira. 

Só vou tentar mais uma coisa, não desesperar enquanto espero que o dia em que ele vai dormir toda a noite chegue.

Sopa

A minha criança está bem tratadinha, não é gorda!, é é alta e bem constituída, o que levará terceiros a acreditar que ela realmente deve comer, ainda que raramente o consigam presenciar. O que se passa é o seguinte, o meu petiz come sopa em casa e segundo e sobremesa. No entanto, quando saímos de casa e vamos para casa de amigos, para casa dos avós ou para algum restaurante, mas na companhia de amigos ou família, a coisa muda de figura. Não come e não come e volta a não comer a sopa. E é aí que entro em modo arena de combate, e cismo porque cismo, que tenho que lhe conseguir enfiar a sopa pela goela a qualquer custo.É choro, é sopa na minha roupa, é sopa na roupa dele, é sopa no chão, é sopa a escorrer-lhe pelo queixo em forma de regurgitação, pfff. Isto tudo, apenas para provar a vossas excelências que o puto come sopa e que tenho alguma autoridade sobre ele. A mim, honestamente, não me incomoda muito que ele não coma sopa aqui, ali ou acolá, porque na escola come todos os dias e em casa à noite e ao fim de semana também, e isso é tipo 90% das vezes. Se ele come sopa 90% das vezes que deveria comer, para quê preocupar-me?! Aí já entra o meu ego de mãe que quer provar aos outros ser capaz! Estupidez pura.